O DESAFIO DE MANTER A UNIDADE EM CRISTO JESUS
- Sermon By: Pastor Jerónimo
- Categories: Sermão
TEXTO BASE: JOÃO 17:20-23
O Pastor Jerónimo iniciou sua pregação saudando a congregação e apresentando-se como avô de cinco netos. Recordou que este é o último domingo do mês da mocidade e também o mês amarelo, dedicado ao combate ao suicídio. Ressaltou que, em alguns países como o Japão, os índices de suicídio são muito elevados e que até em nosso próprio país existem províncias que sofrem com essa realidade em escalas alarmantes.
O foco da mensagem foi voltado para a juventude cristã. O jovem muitas vezes não tem noção da dimensão dos livramentos que recebe, por caminhar com o Criador que lhe mostra o caminho certo. Essa é a grande vantagem de ser jovem em Jesus, vivendo na igreja.
Por ser uma pregação direccionada especialmente à mocidade, o pastor pediu que os jovens se assentassem nos primeiros bancos, para que recebessem a palavra com maior atenção.
O ponto central da mensagem foi a unidade. Baseando-se em João 17:20-23, o pastor destacou a oração de Jesus. Nela, Cristo não orou apenas pelos discípulos que estavam com Ele, mas também por todos aqueles que, no futuro, viriam a crer em Seu nome. O pedido de Jesus foi para que todos fossem um só, assim como Ele é um com o Pai.
A unidade não é apenas um mandamento espiritual, mas também um testemunho diante do mundo. Quando os cristãos permanecem unidos, revelam a verdade do evangelho e o amor de Deus de forma visível.
O pastor destacou que a unidade é um desafio, porque existe em nós a tendência natural de viver separados. A própria sociedade fomenta isso, pois muitas culturas enfatizam a individualidade em vez do colectivismo. A cultura, de forma geral, molda a nossa personalidade e o nosso comportamento.
Somos, de certo modo, fruto das práticas culturais que absorvemos. Há um ditado que diz que somos a média das cinco pessoas que mais admiramos. Essas pessoas, sejam familiares, amigos, figuras públicas, personagens virtuais ou até mesmo pessoas que já morreram, influenciam nossas escolhas e nosso comportamento diário. Curiosamente, todos os personagens bíblicos que admiramos já são defuntos, e até a cultura europeia que tanto seguimos hoje está baseada nos “defuntos” da Grécia antiga.
O que muitas vezes consideramos como nosso modo de viver é, na verdade, algo que assimilamos da cultura ao nosso redor. Mas Jesus orou para que andássemos em unidade. Não apenas porque somos cristãos, mas porque a unidade tem um propósito e um fim espiritual. E, justamente por ser tão importante, ela também pode se desfazer com muita facilidade.
Um exemplo disso é a experiência da juventude. Muitas vezes os jovens vivem uma euforia intensa no início de um relacionamento ou de uma paixão. Porém, quando a emoção esfria, o rompimento se torna quase inevitável, porque a base estava apenas na euforia do romance. Por isso Jesus teve tanto cuidado em nos alertar para que zelássemos pela unidade. Ele deseja que caminhemos como um só corpo, mesmo diante das inúmeras escolhas que a juventude tem hoje.
A unidade que Cristo pede é, antes de tudo, um testemunho vivo. Os jovens que foram salvos e baptizados no nome do Senhor Jesus devem expressar essa unidade em suas actividades e em seu modo de viver. É isso que atrai os de dentro e os de fora da igreja e essas acções testemunham por nós. Basta lembrarmos da história de Jó. Antes das provações, Deus perguntou a Satanás se ele havia observado Seu servo Jó, homem íntegro e fiel. Satanás respondeu que ele só permanecia firme por causa das bênçãos que recebia. Mas quando tudo lhe foi tirado, Jó continuou fiel porque sua ligação com Deus era genuína, não dependia de circunstâncias externas.
Comunhão com Deus
Para estarmos verdadeiramente unidos aos irmãos, precisamos primeiro estar unidos a Deus. Quando essa união é verdadeira, tudo o mais perde a prioridade. É uma unidade genuína, não aparente nem ocasional, que abre caminho para a unidade que Jesus deseja. Por isso, não devemos apressar propostas ou escolhas para as quais ainda não temos maturidade.
Na geração actual, a internet expõe os jovens a uma pressa artificial de amadurecimento. Muitos, ainda crianças, já querem viver como adultos. Mas o conselho do pastor foi claro: amadureça em Deus e os frutos aparecerão naturalmente, no tempo certo.
A Unidade Deve Ser Sacrificial
O desejo de Jesus é que sejamos unidos, assim como Ele é unido ao Pai. Durante o seu ministério, mesmo depois de longos dias de trabalho, Jesus nunca negociava o tempo de comunhão com o Pai. Ele não dispensava o tempo de oração, porque sabia que a unidade com o Pai era essencial. Da mesma forma, a nossa unidade também precisa ser sacrificial. É preciso renúncia, disciplina e dedicação para permanecer em unidade com Deus e com os irmãos.
Essa unidade também nos leva a rejeitar a mentalidade de escassez. Cristo padeceu para que tivéssemos vida, e vida em abundância. Portanto, não devemos ceder ao espírito de escassez que tenta se instalar em nossas vidas. Pelo contrário, precisamos exercer a autoridade que temos em Cristo, afirmando com fé que não aceitamos escassez em nenhuma área.
Aqui o pastor destacou que ter dinheiro não é maldição, como alguns pensam. Essa é uma mentira do inimigo. O verdadeiro problema está em não sabermos administrar o recurso que Deus coloca em nossas mãos. O dinheiro é neutro; o que fará diferença é o propósito que lhe damos.
Ele explicou de maneira prática: quando recebemos dinheiro e não temos um programa para ele, o próprio dinheiro “nos pergunta” o que será feito dele. Se respondemos que não sabemos, ele vai embora e se esvai em gastos aleatórios, roupas, celulares, sapatos, sem produzir fruto. Por isso, é necessário planear antes mesmo de receber. Quem não organiza o uso do dinheiro acaba perdendo a oportunidade, enquanto outros, que sabem planear, conseguem multiplicá-lo. Em outras palavras: se não sabemos definir quanto queremos e como queremos usar o que Deus nos dá, outro o fará em nosso lugar.
Temos que mostrar ao mundo que somos de Jesus
Outro ponto importante destacado foi a necessidade de mostrarmos ao mundo que somos de Jesus. Muitos crentes, principalmente jovens, têm dificuldade em assumir publicamente a sua fé. Entretanto, se temos vergonha de declarar que somos cristãos, precisamos questionar a autenticidade da nossa fé.
Não se trata de exibir-se ou querer ser notado, mas de dar testemunho quando a ocasião exige. É nesse momento que Jesus é revelado através da nossa vida. O nosso testemunho de fé deve ser claro, firme e cheio de convicção.
O espírito de escassez procura convencer-nos de que sempre temos pouco, de que falta tudo. Porém, precisamos nos lembrar de que Jesus padeceu para que tivéssemos abundância em todas as áreas. Por isso, não devemos andar de cabeça baixa, mas conscientes de que o Senhor comanda os céus e a terra. Devemos andar com dignidade, classe e reputação, pois pertencemos a Cristo.
A unidade é um dos maiores testemunhos da presença de Cristo em nossas vidas.
Que Deus abençoe!
Por
Pastor Jerónimo
28.09.2025



